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23 abril 2016

Ativistas LGBT temem crescimento da homofobia em caso de impeachment de Dilma

Por ser gay, o estudante Luis Dantas, de 21 anos, já foi agredido duas vezes nas ruas de São Paulo. Em uma das vezes ele perdeu os dentes. Na outra, tomou uma facada que ainda marca suas costas.
Empunhando a bandeira do movimento LGBT (que defende os direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), Luís chega de mãos dadas a seu companheiro ao Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, para protestar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff na tarde deste domingo (17).
— Com a derrubada do governo [Dilma], a classe LGBT vai sofrer.
Dantas teme “perder direitos”, após anos de avanços como o reconhecimento da união estável e do casamento.
— Este governo tem levantado bandeiras contra o preconceito de minorias. Tivemos alguns avanços, agora podemos nos casar. Mas queremos avançar mais, queremos a criminalização da homofobia.
O risco estaria representado na figura do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), opina Valter Tonhá, de 29 anos.
— Eu só me lembro do Cunha dizendo que sofre ataques dos gays. Quem vê o movimento gay como inimigo é capaz de fazer qualquer coisa para enfraquecê-lo.
Tonhá diz ainda que começou a participar de protestos pelos direitos LGBT desde quando o deputado Marco Feliciano se tornou presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, em março de 2013.
— Como podem ser inimigos dessas pessoas [do movimento LGBT]? Essas pessoas têm suas causas.
Manifestante protesta contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, neste domingo em São Paulo17.04.2016/PAULO IANNONE/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
O jornalista Maurício Moraes, ativista de direitos humanos e ex-candidato do PT a deputado federal em 2014, afirma que, “se ocorrer o golpe, será como uma ‘lampadada’ na cabeça do movimento LGBT”.
— Embora o movimento não tenha avançado tanto quanto a gente gostaria no governo da Dilma, todas as conquistas que nós conseguimos ocorreram nos últimos 13 anos.
Na opinião dele, “as pessoas que estão por trás do impeachment, são os setores mais conservadores da sociedade brasileira, representados, por exemplo, por Bolsonaro, que é claramente homofóbico”.
— A gente se vê diante da possibilidade de um freio, e até um regresso. Mas nós queremos mais direitos.
Para Dantas, a ascensão dos setores conservadores levará a um agravamento da homofobia. "Mas a homofobia tem cura", diz.
— É com educação e criminalização.